segunda-feira, 24 de julho de 2017

7 Doses de Veneno

As coisas que faço por amor - LANNISTER, Jaime

Hoje é dia de falar dos nossos seres mais odiáveis e que nós mais amamos. Sem eles a história não teria charme, tensão, não teria acidez. Sem eles a história não existiria, na verdade, porque eles criam os obstáculos e atazanam os mocinhos. Eles são os vilões!
Nesse post eu falarei sobre os melhores vilões literários. E lista será um podium, por isso vai começar do 7 e decrescer.

7. Irina Spasky, The 39 Clues

The 39 Clues possui uma gama de vilões bem variadas, mas Irina era uma Lucian ex-espiã da KGB com uma melancolia reprimida. É a primeira vilão que trajava unhas com injeções venenosas que faria um arco de redenção que me fez ficar triste com seu fim.
A russa era a única vilã que debatia com os Kabra sem problemas. Tão afrontosa que salvou a vida os mocinhos Amy e Dan e pediu para acabarem com a psicopata da Isabel.


6. Shirley Mollison, Morte Súbita

Morte Súbita é uma ficção muito real. Então os vilões são muito reais. O sr. Howard é extremamente crível, mas era o vilão do tipo asqueroso, mas Shirley é a do tipo "faço tudo pela minha família".

Pior sogra, hipócrita, superprotetora, braço-direito do marido, ambiciosa e traída.Shirley é intragável defensora da moral e dos bons costumes e egocêntrica. Acha que é rainha do mundo, mas é muito bom ver no fim que ela tem um lado frágil e descobre que ela não consegue ser dona dos destinos ao seu redor.

5. Tywin Lannister, As Crônicas de Gelo e Fogo

A gente sabe que Tywin Lannister é aquele monstro mais odiável da história e que abriu um leque para outros vilões como o amedrontador Roose Bolton e o seu bastardo Ramsay.
Tywin é um gênio da estratégia, sempre tentando proteger o nome Lannister e o patrimônio Lannister. George Martin sabe descrever muito bem o pai dos gêmeos com uma glória e uma onipotência. Os olhos verdes com pontos dourados a postura, o jeito de tratar os filhos Cersei, Jaime e Tyrion. Tá no sangue Lannister a monstruosidade.

4. Voldemort (Tom Riddle), Harry Potter

JK Rowling notoriamente sabe construir personagens e eu já fiz post só sobre os vilões de Harry Potter. Mas para esse post eu precisava relembrar Voldemort.
A semelhança do vilão com o herói é que provoca o nosso medo. A construção da ideia das Horcruxes é apavorante. A criação de Tom Riddle é um exemplo de como criar um personagem. Além da figura monstruosa do perverso Lorde das Trevas.

3. Big Jim Rennie, Sob a Redoma

Vamos falar sobre um dos meus vilões e personagens favoritos da face da Terra? Big Jim Rennie, pode entrar.
Sob a Redoma foi o meu livro favorito durante muito tempo e um dos motivos é o terceiro vereador Big Jim. Na realidade limite de Chester's Mill, Big Jim encontra um meio de se tornar um ditador perfeito. Dentro de toda sua carapaça de protetor dos vizinhos, se esconde a erva daninha que destruiu família, amigos e aliados.

2. Dolores Umbridge, Harry Potter

Não, ela não pode ficar fora dessa lista. E, sim, ela tem que ganhar a medalha de prata: a doce torturadora de adolescentes Umbridge.
O critério para colocá-la aqui foi: ela é uma monstra pior que Voldemort e em formato de cupcake humano. A forma fofa que ela carrega não esconde a crueldade dela porque ela não faz questão de esconder suas opiniões sobre tudo.
Em nenhum momento existe compaixão por ela, pela história dela, ela é apenas uma preconceituosa. O pior da personagem é que ela é extremamente crível. Dolores Umbridge existe. Enquanto Voldemort existiu, ela existe. Ela está por aí no seu almoço de domingo, ela está no seu Facebook, ela está no seu trabalho.


1. Presidente Snow, Jogos Vorazes

Quando eu decidi fazer um post sobre meus vilões favoritos só veio Corionalus Snow na cabeça até montar a estrutura. Por que o presidente de Panem? O ditador inabalável também não é desses que escondem seus objetivos e faz tudo tão às claras que ele tem um pacto de sinceridade com a heroína Katniss Everdeen.

Mesmo que a história seja passado em primeira pessoa, a gente consegue ver todo panorama psicológico do vilão. A escalada da sua posse foi maravilhosamente narrada por Finnick Odair. Tirando o fato que ele exalava cheiro de rosas e sangue que tanto apavorou a nossa arqueira favorita.
Vamos lembrar que ele também amava a netinha. A sinceridade é tudo na relação Snow-Catnip. Enquanto Harry e Voldemort eram ligados pela semelhança, Katniss e Snow tinham uma ligação tóxica de medo e cumplicidade. E que vilão que você conhece morreu rindo?

A ideia é em breve é falar do vilão queridinho do povo, Darth Vader. Então fiquem esperando que vai sair.
Qual a sua lista de vilões? Conta aqui embaixo, por favor!
Até segunda, meus leitores favoritos!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Homem-Aranha: De volta ao Lar

Se você não é nada sem esse uniforme, você não merece esse uniforme. - Tony Stark, Homem-Aranha: De volta ao lar.


Depois de seis filmes chegou a vez de Tom Holland vestir o uniforme azul e vermelho do cabeça de teia e mais um jeito bem diferente de interpretar o novo Homem-Aranha que está de volta, enfim, ao Universo Marvel.
O novo filme do Peter Parker conta com a direção de Jon Watts e traz de volta o contexto pós-Guerra-Civil e obviamente a Guerra de Sokovia e todas as consequências destes eventos eventos para os civis.

Após a Guerra Civil, Peter Parker tenta buscar formas de salvar o Queens e entrar para a equipe dos Vingadores, enquanto passa pelo Ensino Médio ao lado do seu amigo Ned (Jacob Batalon). A vida de monotonia acaba e a chance de mostrar seu valor chega quando a quadrilha do vilão Abutre (Michael Keaton) cruza seu caminho.
Um acerto do novo Homem-Aranha é o próprio Tom Holland. Tom consegue ser igual ou melhor que Tobey Maguire. Se analisarmos o último filme da Era Tobey, o Tom realmente está sendo o melhor mesmo. Ele é crível como um adolescente cheio de problemas na escola, o platonismo, a inteligência e o humor característico do personagem. E como um bom adolescente está sempre tentando se provar como um adulto maduro e responsável, e já imaginamos o resultado.
Como essa história não é de origem, o personagem do Jacob Batalon, o nerd Ned, ajuda no processo responsável pela descoberta do poder que teria em um personagem recém-empoderado. E o Jacob e o Tom conseguem passar essa cumplicidade dessa amizade entre Ned e Peter.

Nesse filme também a Marvel fugiu de qualquer padrão de beleza ao retratar suas donzelas indefesas. Nem a Liz (Laura Harrier) e Michelle (Zendaya) fazem linha frágil. As duas são super-inteligentes e as duas tem formas diferentes de demonstrar isso e assumo que não é necessário shippar ninguém para elas brilharem. A forma como a Kendaya leva o filme é muito interessante para o futuro da possível série de Homem-Aranha.
Não consigo imaginar outro Abutre senão Michael Keaton, e eu não consigo imaginar outro vilão para reiniciar a trama de Homem-Aranha. O ator transmite frieza, crueldade, determinação. O visual do vilão é impactante e realmente amedrontador diante do visual colorido e brilhante do Homem-Aranha (o melhor uniforme até então).

Após assistir esse filme eu fiquei com uma sensação boa e uma ruim atreladas. Homem-Aranha: De volta ao Lar não chega perto de ser ruim, a Marvel está ilesa sem muitos filmes extremamente ruins no currículo, mas é um filme bem desnecessário. Um filme que não precisava existir, mas, já que existe, é bem-vindo. Não chega perto do drama da primeira série e, graças a Deus, fica longe do últimos filmes.

E você? O que achou dessa volta do Homem-Aranha à Marvel?
Até segunda!

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Romeu & Romeu

Duas casas, iguais em dignidade - na formosa Verona  vos dirão - reativaram antiga inimizade, manchando mãos fraternas sangue irmão. [...] Os lances desse amor fadado à morte e a obstinação dos pais sempre exaltados que teve fim naquela triste sorte nos próximos capítulos vereis representados - Romeu & Romeu, S01E01 (adaptação de Shakespeare)

Quando Karol Conká diz que "pra ser ser ouvido o grito tem que ser potente", ela estava profetizando a série Romeu & Romeu de Faell Vasconcellos e Arthur Chermont, dirigido por Jonathan Mendonça, e disponível no YouTube para gente ficar feliz.
Pelo título, já sabemos que a série é uma adaptação do clássico de Shakespeare Romeu e Julieta, de 1595, só que versão claramente brasileira e claramente gay passada em 2016. A briga entre Montecchio e Capuleto, aqui, em Verona do Sul cidade fictícia, é travada entre Monteiro e Campelo gerada por um assassinato no passado está sendo posta à prova quando a nova geração começa a estreitar laços, principalmente os laços entre Rômulo e Ramon.
Durante o baile de máscaras da sra. Campelo (Leidi Dias), Rômulo, filho da aniversariante, conhece por acidente o mascarado Ramon Monteiro, filho mais novo da família rival. Depois de tanto fazer o que os outros achavam que era o melhor para ele, ele se sente vazio com a recente separação e leitura do diário polêmico do avô. E, enquanto a mãe de Rômulo tenta empurrar o ex-namorado para cima dele, ele tenta superar os problemas causados pelo Parkinson precoce fazendo vídeos do YouTube.
Embora a ideia não pareça original, quando a história começa, você já tem um pequeno choque. Primeiro pela temática. O Parkinson já é um tema tenso se estivéssemos falando de um idoso, daí Arthur Chermont resolveu falar disso no roteiro e atuar como tal. Arthur com certeza é um dos melhores atores da websérie. Ele tem uma carapaça de forte e de rebelde, mas por trás de toda ironia tem uma ponta de tristeza e vontade de resistir.

O modo como romance é construído é bem estruturado. O Ramon (João Mesquita) é um cara que está tentando se entender e ele traz empatia. E é um personagem que cresce por causa da química com o Rômulo. As cenas que o personagem sofre são bem dolorosas.
Vamos falar de Suely (Barbara Cury), a empregada doméstica dos Campelo. Meu Deus! Ela é maravilhosa! Eu amava todas as cenas que ele aparecia. E, por mais que fosse cômica, havia uma profundidade naquilo tudo. O jeito que ela tratava os filhos da patroa é lindo. O modo como ela se porta em cena é simplesmente lindo.
Desculpa mundo, mas um personagem que foi difícil de me sentir convencido foi Benjamin (Luan Carvalho), mas eu achava a Mayara (Paolla Sayuri/Gabriela Castello) tão legal para ele. Só que eu sentia algo muito mais uma tensão entre ele e o Ramon. Mas eu realmente queria gostar do personagem porque as camisas dele eram destruidoras e não era um nerd esteriotipado, né?
Sobre a narração do original de Shakespeare: cada episódio era um pisão daquelas drags. Vou tentar falar o nome de todas: Alexia Twister, Amannda Collen, Fefe Houston, Mina de Lyon, Minerva VonCock e Thereza Brown nomes de dragsqueens são maravilhosos. O uso delas pode parecer estranho no início, mas eu passei a esperar em cada episódio as aparições delas, são ótimas atrizes.

São 10 episódios tão bem dirigidos! Jonathan Mendonça faz várias coisas pro Cannes e trabalhou voluntariamente aqui. A sutileza do movimento dos personagens, dos detalhes, nada parece exagerado ou impossível. Eu não esperava uma cena de ação e a que teve foi bem construída , um quiproquó organizado. E as cenas finais me deixaram tenso num grau.
A mensagem da história passa longe do expositivo. A gente consegue entender tudo o que está acontecendo sem ninguém soltar algo na nossa cara. Até a árvore genealógica deles fica expressa aos poucos. Você vai entendendo quem é primo, quem é tio, quem é só amigo.
Eu me viciei lindamente nessa série que está disponível no Canal ArtWeb. O canal tem várias webséries sobre temas sociais e feitos de forma independente  e só tem 20 mil inscritos. Então dá uma visualizada no canal e vê no que dá.
Conta aqui embaixo se você já viu Romeu & Romeu.
Até segunda-feira!

P.S.: Fui parar nessa série por causa do curta Lamúria de Nathan Cirino de 2012. Os atores são Jonatha Medeiros, Pablo Carvalho e Fabiano Raposo e a produção ganhou um monte de prêmios. Apenas vejam também, tem só 15 minutos. Vai lá e volta para comentar.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Tag: Opiniões Impopulares

Eu sei que a tag é antiga, mas a gente trabalha com revival, porque essa é linda. A tag consiste em apontar livros/personagens que odiamos e as pessoas amam e vice-versa. Vamos às perguntas.


1. Uma série/livro popular que não gosta

A gente pode falar de Quem é você, Alasca?. Eu ainda não entendi porque as pessoas amam esse livro. O único personagem verossímil naquela história é o Coronel. Tem uma resenha aqui eu acho, se não tiver, eu já falei mal dele em diversas tags.


2. Uma série/livro popular que todo mundo parece odiar, mas que você ama

Eu tenho a impressão que as pessoas não gostam de Raphael Draccon, mas dele eu escolhi Dragões de Éter - Caçadores de Bruxas que eu vi um hate absurdo e eu am tanto esse livro. O livro é lindo, tem um narrador encantador e tem personagens muito bem construídos a partir dos contos de fadas. Não odeiem, por favor!


3. Um triângulo amoroso em que a personagem principal não acabou com quem você queria ou um casal que você não gosta

Eu odeio muito o Peeta, então deduzam aí a resposta.


4. Um gênero de livros popular que você não costuma ler

Romance romântico e o erótico. Eu não consigo acreditar em uma história que carregue o drama de um casal se separando e se unindo ao longo de 300 páginas. E eu não consigo nem imaginar um erótico.

5. Um personagem popular que você odeia

Queria falar Alasca, mas vou mudar de foco. Vamos falar de filme? Não consigo suportar Júpiter, protagonista de O Destino de Júpiter. Ela surge no objetivo de ser a "personagem feminina forte", tem o objetivo de ser uma rainha intergalática, mas ela está ali sendo usada por todos os vilões, os outros herdeiros. E ela não faz nada, só o crush dela, que deveria funcionar como mentor e não como herói, faz alguma coisa. É um desserviço esse filme.

6. Um autor popular que você não consegue se interessar

Nicholas Sparks. Eu já superei meu lance com JK Rowling, hoje amo essa mulher. Mas Nicholas Sparks não. olha pr'essas capas e chore


7. Um clichê que você está cansado de ler

A donzela indefesa. Não consigo entender o personagem que sempre precisa ser salvo, tipo Piper antes de A Marca de Atena. Usei "donzela indefesa", mas se encaixa em homem também. Um motivo para odiar o Peeta.


8. Uma série ou livro popular que não tem interesse de ler

A culpa é das estrelas, do John Green.

9. "O livro é melhor que o filme". Diga um livro ou série que você achou o filme melhor que o livro

Não queria falar esse, mas é realidade. A gente aceita que o filme de Jogos Vorazes é melhor que o livro e principalmente a dupla A Esperança. A Esperança é o livro que eu menos gosto, mas são os meus filmes preferidos.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

"Power Rangers: RPM"

ZIGGY: Às vezes quando eu morfo. não posso evitar notar uma explosão gigante atrás de mim, se  motivo aparente...
DOUTORA K: Assumo que está se referindo aos resíduos de energia que são necessários para dar claridade ao canal do Biocampo do traje durante a morfagem. - Power Rangers: RPM - E10

Desde que eu assisti Power Rangers - O Filme, eu fiquei na vontade de assistir uma temporada inteira. Logo depois, eu assisti Power Rangers: Operação Ultraveloz e, meu Deus!, não sei como produziram isso. Por isso demorei tanto para tentar ver outra temporada e estou aqui para falar de Power Rangers: RPM, porque essa sim merece ser lembrada e tinha sido esquecida.
Power Rangers: RPM foi lançada em 2009, nos EUA, e em 2010, no Brasil, e é a adaptação da série Engine Sentai: Go-Onger produzida pela Saban e transmitida pela ABC Kids, nos Estados Unidos, e pela Disney XD, no Brasil. Essa foi uma das temporadas melhor criticadas, ele só fica atrás de No Espaço, mas é que teve menos audiência; vamos falar sobre essa controversa temporada?
Depois de um vírus de computador, o Venjix, ser liberado e dominar o mundo, os humanos sobreviventes se isolam na cidade copulada de Corinto protegida pelos Power Ranger RPM. A história começa com a tentativa de Dillon e Ziggy chegarem à cidade. O primeiro perdeu a memória e está perdido no deserto e o segundo, na verdade, estava fugindo de Corinto. Ao alcançar a cidade, os dois se deparam com Scott, Flynn e Summer, os rangers, mentorados pela Doutora K.

Entre os personagens, os destaques vão para Summer (Rose McIver), Dillon (Dan Ewing), Tenaya 7(Adelaide Kane) e Doutora K (Olivia Tennet). A Summer em nenhum momento aparenta a fragilidade comum de Power Ranger feminina. Embora se apaixone, isso nunca assume o principal objetivo dela, e o arco dela é muito bom. Dillon é impulsivo e sedento pelo passado que ele não conhece, tem um jeito diferente de mostrar que gosta de alguém, tenta ser macho-alfa, mas tem momentos que precisa ser salvo e tem uma história maravilhosa relacionada com o núcleo dos vilões. Tenaya 7 é uma das melhores vilãs do Universo Ranger. Ácida, debochada, afrontosa e cruel, claro sem esquecer a dualidade. Dra. K é aquela personagem que tem tudo para ser vilã, mas a frieza dela dá lugar à inocência, insegurança, e ao mesmo tempo, ela tem umas tiradas contra o governo de Corinto.

Scott (Eka Darville), Flynn (Ari Boyland) e Ziggy (Milo Cawthorne) amo o jeito que o Ziggy luta não são grandiosos, mas possuem histórias interessantes. E esse é o trunfo dessa temporada: as boas histórias. O roteiro não é um combo de de cenas de ação do bem contra o mal que acaba com um megazord. Cada personagem tem uma personalidade, as histórias deles se entrelaçam com a história de Corinto. Existem episódios com cuidado de contar quem era cada ranger antes do apocalipse. E ousa na ficção científica.
A fotografia e a trilha estão lindas. As cenas no deserto são sépia, as de Corinto são meio pálidas, os personagens tentam quebrar essa frieza e essa hostilidade com uma explosão de cores, os zords têm um estilo mais arredondado com grandes olhos. E a trilha é metálica, tem sons de pneu cantando e de motor enquanto os rangers lutam. A Tenaya 7 tem um assobio antes de aparecer que causa aquela mini-tensão, você não sabe de onde vem o som e de onde vai vir o próximo golpe. E destaque para o capítulo que fala da Doc K que conta com uma luta ao som de um violino sensacional.
Tenho obrigação de falar de alguns jogos de câmera que são realmente impressionantes para Power Rangers. Uma das primeiras cenas conta com uma luta filmada a partir das sombras no chão a la Logan. A cena do Ziggy e da Tenaya 7 nos varais também é bem interessante, mistura a ideia do assobio com aquele mar de lençóis, gera uma desnorteada em quem está assistindo. Uma das lutas finais também tem um jeito muito bom, o capacete de um dos rangers cai e a finalização da cena é filmada a partir desse capacete no chão. Então RPM também arrasa nisso.
Por ser uma série infantil, Power Rangers: RPM tem esse perfil "moral da história". Todo episódio traz uma reflexão interessante desde "salve a natureza" a "seja o que você quiser  e as pessoas vão se orgulhar de você", e o enredo em si fala exatamente sobre os avanços tecnológicos. O duelo é humano versus máquina, passando pela precisão da máquina, a resistência humana, a velocidade dos dados, os sentimentos que nos tornam fortes.

Power Rangers: RPM é uma boa volta aos tempos de criança, de ler um TO BE CONTINUED e surtar, de ver a simplicidade de uma trama infantil, com poucas exigências, mas lembrar da vontade de contar uma boa história com mocinhos interessantes, vilões interessantes e contexto sedutor. A leveza infantil tem que ser valorizada.
Até a próxima!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Vamos naturalizar isso?

Don't let them in, don't let them see
Be the good girl you have to be
Conceal, don't feel, don't let them know
Well, now they know - Let it go, Kristen Anderson-Lopez e Robert Lopez

Isso vai ser meio upside down, mas pode ser necessário.
O tema de hoje vai ser LGBT e sobre desenhos animados voltados para o público infantil.Eu estava com medo de esse texto ser muito especulativo, falando de personagens sem base. Então comecemos por não existem personagens oficialmente LGBT na tela. Ah, e podemas Marcelline e Jujuba? Ah, mas Rose e Pérola? A gente pode questionar, ver uns detalhes, mas não tem ninguém que se assuma em relacionamento. Isso por si só já é um argumento, mas vamos debater.

Pensando que saiu uma pesquisa da PUC-RS dizendo que mais de um terço dos jovens (18 a 34 anos) homens são gays assumidos e mais de um quinto da mulheres são lésbicas, é um pouco bizarro imaginar que esse povo todo nasceu e cresceu em um ambiente heteronormativo e não são héteros também. Você pode se forçar a lembrar que desenhos animados também não exploram relacionamentos heterossexuais, mas em cada um existe pelo menos um personagem que se apaixone por uma pessoa de outro sexo, quando não mais de um personagem. Timmy Turner ama Trixie, Jimmy Neutron ama Cindy, Chickie ama Angelica, Alex, Clover e Sam sempre estão atrás de uns homens, e o que são aqueles meninos do Clube da Winx, se história se bastava com as meninas? E não esqueçamos TODOS os filmes da Disney que a gente já viu.

Vamos lembrar que representatividade não é só para deixar a comunidade LGBT feliz, serve para mostrar para a população em geral que ela existe, e é diversa, não uma teia de esteriótipos. A falta de instrução exclui e violenta e mata. A representatividade não levaria a existirem casas-"abrigo" para gays expulsos de casa. A representatividade não levaria à agressão dentro de faculdades. A representatividade não levaria ao massacre em Orlando, nem ao Brasil ser o país que tem mais assassinatos de trans e travestis. Até na mídia, os dados apontam que 84% das lésbicas morrem durante a trama vamos representar, mas vamos representar corretamente.
Outra loucura é associar alguns esteriótipos a vilões. A gente pode reparar nas gesticulações do Scar e Jafar, fora a maquiagem que só ele usa entre os personagens de Alladin. A Ursula foi inspirada em uma drag queen (e foi uma homenagem). E o que falar do Ele de As Meninas Superpoderosas? Mesmo sendo um dos desenhos mais empoderadores, o Ele é um ser andrógeno que usa pompons, botas altas, vestido, e voz dele tá longe de ser masculina para um personagem "masculino".

Acho que depois disso tudo, eu acredito sim que deveria haver sim representatividade nos desenhos animados. Em fevereiro, eu postei uma interpretação do rap Mandume e nessa música  tem um verso no final  que diz: "Chega de tanta didática, a vida é muito vasta para gastar nosso tempo ensinando o que já deveriam ter aprendido". Embora isso se refira ao movimento negro, essa frase se encaixa nesse contexto porque, quando se entra em uma discussão sobre gênero e sexualidade, surgem inúmeras dúvidas que são banais, mas não são, pois não é instruído, ou relevante que se saiba. Se, desde crianças, as pessoas tivessem contato, seria naturalizado. Existem famílias com duas mães ou dois pais, o filho desses casais precisa ser a representação deles na tela, ele precisa se ver na tela.
Se na literatura, Rick Riordan se preocupou com a construção do Nico como personagem homossexual, por que não se pode mostrar uma criança com dois pais?
Vamos refletir, né?!

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Cara Gente Branca

Quando nos zombam ou menosprezam, vocês reforçam um sistema existente. Policiais com uma arma na mão, olhando para um negro, não veem um ser humano. Eles veem uma caricatura, um bandido, um preto. - Cara Gente Branca, S01E01

Cara Gente Branca, ou Dear White People, é uma série original da Netflix criada por Justin Simien baseado no filme homônimo de 2014 do mesmo diretor com algumas alterações no elenco. A série é um drama e uma sátira sobre a negritude e sobre racismo descarado e velado. Cara gente de qualquer cor, acompanhe-me nesse post.
Depois de uma festa de Halloween com a temática blackface, a Universidade de Winchester entra em uma extensa discussão sobre o racismo em seu interior. A fraternidade Armstrong-Parker, uma casa para negros, entra em ebulição porque eles não sabem como reagir ao parecia não existir. Na liderança da militância está Samantha White (Logan Browning), uma mestiça que tem que medo de expor o seu relacionamento interracial com Gabe (John Patrick Amedori).

A cada episódio, algumas cenas são vistas pelos olhos de um personagem diferente. O primeiro episódio é da Sam, mas o segundo é do Lionel (DeRon Horton), por exemplo. Esse esquema ajuda na dinamicidade da série além de mostrar diversos pontos de vista sobre a negritude. Perguntas sobre eficiência da militância são levantadas e qual a importância de lutar pelos seus direitos, a importância de se afirmar.
Entre o drama e a comédia, a produção não se encontra, embora eu não saiba se havia alguma pretensão de escolher algum lado. Alguns episódios são bem satíricos e gera bons risos, outros como o quinto episódio, dão um choque dramático de realidade. No geral, a série é leve. São episódios de 25 a 30 minutos com uma boa dose de tapas na cara.
O elenco conta com destaques. Além de Logan Browning que passa toda confusão de uma pessoa que está em constante afirmação e conflitos, DeRon Horton, Antoinette Robertson e Marque Richardson. DeRon Horton interpreta um introspectivo estudante de Jornalismo com conflitos acerca de sua sexualidade, ao mesmo tempo usa seu trabalho no jornal da faculdade para expressar os problemas raciais pela qual a Winchester está passando. Antoinette Robertson encarna Coco Conners, uma mulher longe da militância que tenta se "camuflar" na elite branca através de cabelo e grife, mas ela não é só essa tentativa de "enbranquecimento"; Coco tem diversas camadas e é interessante acompanhar os episódios dela. Marque Richardson faz Reggie Green, também militante. O personagem tem inteligência, engajamento político e está em constante embate com o que pensam dele em vez do que ele realmente.

Não posso terminar o texto sem falar do narrador do narrador e das trilhas de abertura. A narração de Giancarlo Esposito, de Breaking Bad  e Once Upon a Time, somada às músicas instrumentais (acho que até toca o hino do EUA), ajuda no tom irônica impresso na trama.
Dear White People levanta a bandeira da pluralidade dentro do movimento negro. Não é porque a cor é a mesma que os interesses são os mesmos. O povo negro não é uma massa sem rosto que os esteriótipos comportam. Existem Cocos, Sams, Joelles, Lionels, Troys. Os personagens são diversos e sutis aqui em Cara Gente Branca.

Essa série é uma das melhores surpresas de 2017. Vai no Netflix, assiste e volta aqui pra comentar.
Até mais!