Mostrando postagens com marcador harry potter. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador harry potter. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Tag 20 anos HP

- Claro que está acontecendo em sua mente, Harry, mas por que isto significaria que não é real? - Harry Potterr e as Relíquias da Morte, pág. 525


Mell Ferraz preparou 20 perguntas em comemoração aos 20 anos da saga Harry Potter. Eu não fazia a mínima ideia de que eu tinha estabelecido como meta ler os sete livros de HP no ano de aniversário de 20 anos. E eu vou responder a essas perguntas agora.

1. O quanto Harry Potter significa pra você?

Vocês acompanharam minha jornada com HP então vocês notaram que representou surpresa e reconhecimento da nossa deusa da literatura. E também significou reconexão com a infância.


2. Melhor livro

Prisioneiro de Azkaban, Câmara Secreta e Relíquias da Morte talvez sejam o meu top 3.

3. Qual livro mais te emocionou?

Enigma do Príncipe nunca chorei tanto lendo um livro

4. Qual livro você leu mais vezes?

Vou roubar aqui para Relíquias que eu comecei a ler e depois recomecei por motivos de final de período.

5. Melhor filme e 6. Melhor adaptação

Por ironia do destino eu não consegui ver nenhum deles inteiro, o que eu quase vi inteiro foi Câmara Secreta e achei maravilhosa a adaptação, só que por razões óbvias o filme é um pouco mais leve que o livro.

7. Personagem preferido

Alvo Percival Wulfric Brian Dumbledore.

8. Casa de Hogwarts

O Pottermore diz que sou Corvinal.

9. Local preferido

Acho que a casa do Hagrid.

10. Melhor vilão


Umbridge ou Tom Riddle, mas é a Umbridge.

11. Personagem que morreu e você queria tivesse sobrevivido

Todos da Ordem mesmo, menos o Snape.

12. Se pudesse  possuir uma da Relíquias da Morte, escolheria a Pedra da Ressurreição, a Capa da Invisibilidade ou a Varinha das Varinhas?

A Capa por motivos de invisibilidade e invulnerabilidade.

13. Se você tomasse a poção polissuco, em quem da saga você gostaria de se transformar?

Lupin, porque eu acho um personagem apaixonante.

14. Qual seria sua matéria preferida?

Feitiços com o Profº Flitwick.

15. Se fosse um animago, em qual animal se tranformaria?

Cachorro, gato ou uma ave, um passarinho

16. Você preferiria voar montado num hipogrifo ou na Firebolt?

Acho na Firebolt, mas acho que no hipogrifo me daria melhor.

17. Você preferiria beijar Voldemort ou nadar com Umbridge no Lago Negro?

Vamos de Umbridge, vai que ela se afoga.

18. Você preferiria viajar para Hogwarts via Hogwarts Express ou com o carro voador?

Poderia ter o Nôitebus nas opções, mas vamos de Hogwarts Express ter sensação de fazer uma viagem decente de trem. Alô, Supervia!


19. Você preferiria lavar o cabelo do Snape ou passar o dia inteiro inteiro ouvindo Lockhart falar sobre si?

Eu não aguentava o Profº Lockhart, então vamos de Snape.

20. Você ficou feliz com o final?

Não teria final melhor. O epílogo não é tão ruim, é uma forma de dar a final feliz a uma história que terminaria com luto.

Agora sim acabei com a sequência de Harry Potter. Agora vocês vão voltar a nossa programação normal. Mas vocês vão eu falar muito dele ainda, porque já se passaram 3 semanas que terminei a saga e ainda estou envolvido. Mas comecei a ler o livro da próxima resenha. Mas não trabalhamos com spoilers!
Respondam a tag nos comentários, por favor!
Até segunda!

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Sétima Dose de HP - Amar é preciso

- É o amor de novo? - disse Voldemort, a zombaria em seu rosto ofídico. - A solução favorita de Dumbledore, amor que ele alegava conquistar a morte, embora o amor não o tivesse impedido de cair da Torre e se quebrar como uma velha estátua de cera? Amor, que não impediu de maar sua mãe sangue-ruim como uma barata, Potter; e ninguém parece amá-lo o suficiente para se apresentar desta vez e receber a minha maldição. Então, o que você morra agora quando eu atacar? - Harry Potter e as Relíquias da Morte, pág. 536.

Entre sorrisos e lágrimas vamos aplaudir JK Rowling que finalizou sua obra-prima com a maestria que veio depois de HP e antes de Relíquias da Morte. JK Rowling é de fato a rainha  desse mundo literário. Harry Potter é uma obra infanto-juvenil sim, mas tem tantas camadas que não dá  para resumir o título de infanto-juvenil para esses sete livros.
E hoje, o tema que me veio para falar de Relíquias da Morte, que é um dos livros mais confusos, cheios de plot twists e explicações, foi o amor. Assim como eu falei antes, os temas que eu determinei a cada livro são temas que não se restringem a somente o livro trabalhado. A temática de novidade está em quase todos os exemplares, sempre há um item mágico novo que vai impressionar; o terror psicológico está em todos os sete; toda a série se baseia em reviravoltas que é graça de uma história policial, como muitas vezes HP aparenta; morte é a temática da saga junto com o tema de hoje; a política e o jogo de poder estão em Hogwarts e o Ministério é uma sombra sobre a escola desde o terceiro ou segundo livro; e os vilões são a marca da JK Rowling  (vide meu último post). Claramente o amor é o motivo da história existir tanto quanto a morte e por isso eu vou terminar essa série como uma possível leveza. Não prometo que seus olhos não suem.
Segura minha mão. Vamos lembrar de por que Harry sobreviveu? Rabicho Pettigrew traiu os Potter, Voldemort foi dar uma de lobo-mau, Tiago morreu sem chance de reagir e Lílian foi proteger seu filho. O amor que Lílian tinha, que significava se dispôr morrer pelo filho, fez o menino Potter sobrevivesse, o feitiço ricocheteasse  e desprendesse um pedaço da alma do Lorde e Harry se tornasse uma Horcrux. Então o poder da morte foi abatido pelo poder do amor.
No final de Relíquias, Hogwarts passa pela mesma situação. Nenhum bruxo da resistência sofreu com as maldições d'Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado porque Harry se predispôs a morrer pelos bruxos que até então resistiam na Batalha de Hogwarts. Perceberam de novo que a história começou com amor e acabou com amor?
Foi o amor que fez com que os três amigos que se conheceram no vagão  do Expresso Hogwarts acabassem juntos levando seus filhos para o mesmo Expresso na plataforma nove e meia. Esse mesmo amor fez o Rony ter coragem para mergulhar no poço, salvar o Harry e destruir o Horcrux-medalhão. E fez Hermione lançar o feitiço que protegeu Harry de Nagini e Voldemort em Godric's Hollow.
E os vilões também amam. Tirando o amor doentio da Belatriz por Voldemort, é bom ressaltar que Narcisa só traiu Você-Sabe-Quem por causa de Draco Malfoy e devia ao Harry a vida do personagem duas vezes. Ciça sempre foi uma personagem que não me convencia da maldade e foi bom vê-la salvando Harry.
Eu tenho que falar desse amor doentio dos elfos domésticos, que são seres realmente fofos. A gente pode ter desenvolvido raiva por Monstro e Hermione  avisou que ia dar algo errado se Harry continuasse o tratando mal, mas impossível não reparar na afeição de Monstro por Régulo. Meu Deus! Régulo emprestou Monstro a Voldemort, Voldemort quase mata Monstro nas águas do lago, Régulo vai atrás de vingança e troca os medalhões, morre e faz Monstro guardar esse segredo, essa mágoa, sozinho pelo bem da família Black. Eu li o relato do Monstro sofrendo num grau. Foi uma das partes mais pesadas que JK Rowling escreveu na saga.
Depois dessa, tem a cena da morte do Dobby. O que Dobby sentia por Harry era lindo. Era uma reciprocidade bonita de se ler. Harry permitiu que Dobby ficasse livre e mesmo assim se manteve ligado ao protagonista para também morrer por ele infelizmente. Ele traiu os Malfoy por Harry e viveu por Harry até seus olhos "vítreos" ficarem "salpicados com a luz das estrelas que eles já não podiam ver."
Já falei de Lílian e de Ciça, mas tem uma mãe que abraçou mais criança que seus braços podiam e provou que coração de mãe sempre cobe mais um. E é cômico e doloroso acompanhar o arco de Molly Weasley. Ela ganha Harry e Hermione de filhos, perde Percy pela ambição do jovom, sofre todos os livros por causa disso. Faz de tudo para impedir os protagonistas de caçarem as Horcruxes. Cuida de Jorge que perdeu a orelha na Batalha dos Sete Potters. Vê o filho Fred morto e não desiste de lutar par ter a sua família, culminando no seu duelo contra Belatriz. Quem esquecerás de A MINHA FILHA NÃO, SUA VACA!?
E chegou a hora dele, Severo Snape. Não irei negar a coragem do personagem, mas estamos falando de amor. E o que Severo sentia por Lílian era amor? Confess que, quando ele morreu, eu fiquei "Tá bom. NEXT". E JK Rowling teve o trabalho de escrever um capítulo longo sobre a vida de rancor e amargura de Snape para justificar seus atos como Comensal da Morte e espião e mas um livro não esqueçamos de Enigma do Príncipe. A relação que Sev tinha com Lílian era possessivo, era nojento Alô, Dumbledore. Ele xingava-a quando ela tentava protegê-lo de Tiago. A Lílian tentou de fato tirá-lo do caminho do mal. O argumento de proteção ao Harry não importa. Vamos lembrar os momentos que Snape ajudou o Harry: impediu que Quirrel matasse Harry na Pedra Filosofal, quando Umbridge prendeu Harry na Ordem e para dar a espada de Godric em Relíquias. Tirando isso, ele odiou Harry o máximo que pôde. O que foram as aulas de Oclumência? Ele em vez de ver as qualidades de Harry compatíveis com a Lílian ele só via os defeitos do Tiago. Ou seja, que amor é esse?
Para finalizar essa saga, vamos lembrar de Alvo Percival Wulfric Brian Dumbledore. O falecido diretor de Hogwarts amou o Harry como seu filho ou neto e fez dele o herói que aplaudimos de pé ao final do livro. Foi o amor de Harry por Dumbledore que fez o protagonista apagar as desconfianças e ambições e seguir o plano de "bem maior" de Dumbledore.
Espero que tenham gostado da série! O link para cada posts sobre os livros está nas referências a eles no início do post. Eu realmente espero que tenha ressuscitado o amor por Harry Potter que vocês já tinham no seu coração.
Até semana que vem!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Sexta Dose de HP - Vilania

Ela estendeu a mão para retomar o medalhão. Por um momento, Harry pensou que Voldemort não ia deixar, mas logo o medalhão escorregava entre seus dedos e estava de volta ao acolchoado de veludo vermelho.
- Eis aí, Tom, querido, e espero que tenha gostado!
A bruxa olhou-o diretamente no rosto e, pela primeira vez, Harry viu o sorriso tolo dela vacilar - Harry Potter e o Enigma do Príncipe, pág. 316


Eis que sou jogado no chão, pisado, sambado e humilhado, mas estou para escrever mais texto sobre Harry Potter e dessa vez sobre Harry Potter e o Enigma do Príncipe, o sexto livro da série. Para você que achava a morte de Cedrico Diggory destruidora...
Mas para coroar o sexto livro, JK Rowling se encarrega de criar uma atmosfera em volta da Sonserina e foca na construção de, mais especificamente, três personagens: Draco Malfoy, Snape e Lorde Voldemort. Por esse motivo eu vou falar sobre a vilania dentro do Mundo Mágico.
Já tivemos Professor Quirrel, basilisco, Pedro Pettigrew, os Dementadores, Bartô Crouch Jr., Dolores Umbridge e os mais seleto time de Comensais da Morte que inclui Lucio Malfoy e Belatriz Lestrange. Mas nesse livro, Dumbledore se propõe a dar aulas de Voldemort a Harry já que as aulas de Oclumência do Professor Snape deram muito errado. Portanto, acompanhamos o crescimento de Tom Riddle, desde antes do seu nascimento até o início de sua vida profissional.
Além disso, Snape e Draco vão sendo criados lentamente durante os cincos anteriores como personagens irritantes, mas nesse volume a gente percebe até onde cada um dos dois podem chegar. E eles chegam longe.
Desde sempre o leitor sabe os objetivos de Lorde Voldemort, mas só nesse livro fica mais claro os seus motivos. Um motivo dele perpassa por sua similaridade com o protagonista. Ambos são órfãos e mestiços. O que fez de Harry uma pessoa carente, fez de Tom uma pessoa fria, embora tenham em Hogwarts uma casa que os acolheu.
Tom Riddle tem todo um arco de psicopata bem arquitetado. Ele é fruto de um relacionamento baseado em uma poção do amor e desilusão amorosa. Nasce em um orfanato odiando o pai que o abandonou e, depois, a mãe quando descobriu que se apaixonou por um trouxa. Antes de ser convocado à Hogwarts já controlava alguns aspectos da magia e já amedrontava os coleguinhas do orfanato.
Uma vez estudando em Hogwarts  e instalado na Sonserina, Riddle desenvolve seu lado sedutor e manipulador, conquistando, assim como Draco, um grupo de amigos, admiradores e seguidores, que depois seriam os Comensais da Morte. Então ele vê nas Horcruxes a chance de uma possível vida eterna, para isso ele precisaria matar, o que ele faz sem remorsos. Voldemort, por fim, é egocêntrico, psicopata, mas também, megalomaníaco, só que tem medo de Dumbledore e de Harry Potter.
Já Snape é aquele aluno que sempre sofreu bullying pela simples razão de existir. Nós já vimos como acabam várias histórias de bullying, e eu não estou falando de Thirteen Reasons Why, estou falando dos Massacres de Columbine e Realengo. Mas Snape não acabou se tornando um assassino em massa, só um Comensal da Morte rancoroso que aprendeu a criar  feitiços e manipular poções.

Embora vítima de bullying e recluso, não demorou para se mostrar trevoso, dissimulado e até egocêntrico se auto-intitulando Prícipe Mestiço. Com Harry detendo o livro de Poções de Severo a gente se arremeda pela cabeça de um aluno extremamente inteligente, mas inclinado para o mal. Todos entendiam Snape como perverso, mas não como assassino.
Porém Draco Malfoy é típico Comensal honrado por servir Lorde Voldemort. Nasceu rico e sangue-puro e já doutrinado a odiar o que é diferente e subjugar os seus iguais. Ou seja, Malfoy simplesmente é o que ele foi ensinado a ser. A partir daí ele se mostra cruel e narcisista, renegando até ajuda do Professor Snape. Para ódio do vilão, Draco não é capaz de matar ainda, mas não sei se em Relíquias de Morte ele vai fazer a linha arrependido ou ovelha negra entre os Comensais.
JK Rowling conseguiu construir uma gama de vilões muito interessante e cada um com um jeito diferente. Fenrir Greyback é sanguinário e canibal. Dolores Umbridge é preconceituosa sob uma capa de doçura sonsa. Lucio é do time que pode ver o barco afundar desde que ele tenha um bote. Narcisa é faço-tudo-pela-família. No fim, a autora não erra na construção de um grupo heterogêneo que luta pelo poder das trevas e onde isso pode os levar.


Você tem um vilão favorito em Harry Potter? E o que você acha mais genial na história de JK Rowling?
Nos vemos na próxima segunda!

segunda-feira, 3 de abril de 2017

Quinta Dose de HP - Politicamente Incorreto

POR ORDEM DA ALTA INQUISIDORA DE HOGWARTS

Todas as organizações, sociedades, times, grupos e clubes estudantis estão doravante dissolvidos.
O estudante que tiver organizado ou pertencer a uma organização, sociedade, um time, grupo ou clube não aprovado pela Alta Inquisidora será expulso. - Harry Potter e a Ordem da Fênix, p.289


Começando a reta final do projeto 7 Doses de HP, hoje temos de falar de Harry Potter e a Ordem da Fênix. o quinto livro da saga de JK Rowling que que percebi ser um livro "ame ou odeie" e eu consegui entender os dois lados.
O leitor de Harry Potter estava acostumado a ler livros bem mais dinâmicos que Ordem da Fênix. Os três primeiros eram bem embasados em romance policial e suspense enquanto o quarto trabalha uma espécie de disputa intercolegial, o Torneio Tribruxo, mas o quinto não tem um Mistério, um Caso. Claro que você quer saber o que está atrás da porta do Departamento de Mistérios, mas não é isso que move o enredo nesse livro, porque esse é um livro de contexto político.
Após a morte de Cedrico Diggory, o Ministério insiste que nada aconteceu de anormal e que a ideia do renascimento de Lorde Voldemort narrado por Harry e Dumbledore é loucura. E, como agora Dumbledore não é mais tão confiável e opositor aos ideais  de Cornélio, Fudge envia Dolores Umbridge para ser professora de Defesa Contra as Artes das Trevas e cria o cargo de Alta Inquisidora, mais ou menos o Poder Moderador, dentro da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.
Esse livro, então, ganha outros ares. Em um momento a gente estava lutando contra as tentativas de Voldemort surgir, nesse, o tom vira um um Hogwarts contra o Ministério, mais precisamente Ordem da Fênix contra o Ministério e Voldemort fica em "segundo plano".  E Umbridge ganha o papel de vilã a altura para esse jogo de poder.
Em tempos de mudança política, a única coisa que a sociedade quer que as coisas avancem, mas, em vez de aceitar que a situação está ruim e identificar as deficiências, Cornélio tenta abafar tudo  e coloca a Umbridge ali para imprimir um retrocesso com cara de avanço. Duvido que Filch não pareça com alguém da sua família.

Harry Potter e a Ordem da Fênix aprofunda a questão questão do poder da mídia, mas surge com a outra temática, o Autoritarismo. Um regime com essa característica impede a formação de grupos opositores, valida seus atos com argumentos baseados na emoção popular, aprova a perseguição. O Ministério da Magia põe uma Alta Inquisidora no órgão opositor, Hogwarts; através de Umbridge, as aulas práticas de Defesa são  reduzidas a leituras, e os alunos são proibidos de se unirem  em grupos que sugiram movimento estudantil. Enfim Hogwarts vira um território de hostilidade política e censura escancarada.
JK Rowling foi genial em trazer esse tema político ao universo de Harry Potter. A autora incentiva claramente o movimento estudantil quando cria a Armada de Dumbledore. Um grupo de estudantes que se unem para se embasar sobre um assunto que lhes foi privado para poder enfrentar um inimigo muito grande e o sistema.
Com facilidade, o livro abre uma brecha para falar de corrupção e hipocrisia. O conservadorismo dos bruxos os enchem de contradições idiotas. Analisando a árvore genealógica da família Black, a gente percebe que quase todos os Comensais da Morte passaram por ali. Os Lestrange e os Malfoy são ligados aos Black por causa desse Orgulho Puro-Sangue. Sendo que já foi provado que os bruxos precisam dos trouxas para perpetuarem a magia.

Além disso, nós já acompanhamos diversas formas de Lúcio Malfoy fugir da justiça. O poder Malfoy é incontestável: dinheiro. Uma família rica e influente que tem sempre um primo, um assecla, no Ministério, para fazer o que ele quer. E, no final deste livro, em que ele é preso, o Draco joga na cara de Harry que o pai vai sair facilmente da cadeia. Afinal, os Comensais da Morte são a nata da sociedade mágica que não aguenta um pobre, um trouxa, um nascido-trouxa. Você pode trocar facilmente essas denominações por aqui que dá no mesmo. Tem muito Comensal no Brasil Voldemort approves.

Acho que não tem nada mais a acrescentar. Harry Potter e a Ordem da Fênix grita crítica social, somando à mistura a viagem adolescente de Harry (que para mim foi um ponto negativo, mas não podemos negar que não existam adolescentes como ele). Agora eu entendo alguns argumentos do tipo: Como você leu Harry Potter e tem esse pensamento? Tem gente que lê errado. Infelizmente.
Até segunda!

segunda-feira, 20 de março de 2017

Quarta Dose de HP - Assuntos Pesados

Lembrem-se de Cedrico Digorry. Lembrem-se, se chegar a hora de terem de escolher entre o que é certo e o que é fácil, lembrem-se do que aconteceu com um rapaz que era bom, generoso e corajoso porque ele cruzou o caminho de Lorde Voldemort. Lembrem-se de Cedrico Digorry. - Harry Potter e o Cálice de Fogo, p.527

Acho que já desisti de encontrar elogios para JK Rowling e sua genialidade. Em O Cálice de Fogo, o mundo mágico escrito de Rowling se expande muito, tanto em linha temporal quanto em espaço físico. A gente conhece o Ministério e os mecanismos dele mais de perto. Assim como chegamos a conhecer mais outras duas instituições educacionais, a Beauxbatons e a Durmstrang. E, soma-se a isso, a imprensa e seus sujos bastidores através de Rita Skeeter.
Além do crescimento do universo, a autora toca no assunto de grande importância que é a escravidão, que ali é representado pelo conflito de ideais de Dobby e Winky. Do mesmo modo, Harry Potter e o Cálice de Fogo lança uma luz sobre a afirmação de auto-estima e identidade que tange Hagrid, Hermione, Dobby, Rony, Fred e Jorge e também Harry Potter, que elucidam o fato de que mais importa o que as pessoas se tornam do que a origem de nascimento. Mas o quarto livro também é o livro mais violento até aqui e é esse assunto que vai nortear o post de hoje.
Ao longo desses quatro livros, JK Rowling cerca-nos de assuntos pesados como bullying, solidão, baixa auto-estima, terror, injustiça, tudo isso passando pelo tema "morte" que ganha forma maior nesse livro, incluindo a sua forma real, não é mesmo?
Acompanhando o "padrão Harry Potter", o ano está para começar, todos esperam um ano tranquilo, mas algo acontece em Hogwarts e/com Harry que arrasta a tensão que vai reger o livro. Pela primeira vez Potter é atacado abertamente sendo posto dentro do Torneio Tribruxo. Mesmo que o objetivo de quem o pôs ali não fosse expressamente matá-lo, as provas do torneio eram bem cruéis. Desde enfrentar dragões a salvar reféns submersos e lutar contra explosivins.
O livro termina com o renascimento do mal, Voldemort, e de seus Comensais da Morte, mais morte de um personagem e tortura de outro, tendo como saldo final uma bandeira de luto em vez de uma bandeira da casa vencedora  e vozes embargadas. É o primeiro livro que claramente a gente vê quem está deste e do outro lado.
Nesse livro, a gente percebe também como uma instituição de ensino pode ser capaz de ditar uma mudança na sociedade ao seu redor. E é nesse ponto que os leitores entendem que o primeiro passo é organizar a resistência. A partir disso, é possível o leitor enquanto criança criar o próprio filtro e notar que ninguém merece e deve estar passível da violência.
De uma maneira ou de outra a violência está enraigada na vida real. É comum lermos ou assistirmos várias notícias sobre tiroteio, roubos, assédio, e, quando a criança assiste isso, ela não é capaz de filtrar toda aquela enxurrada de informações significa. Um filme ou um livro tentam explicar isso, mas é bom que todo assunto passe pelo filtro dos pais.
Com o avanço da civilização, o tempo parece encurtar. Parece que não tem espaço para lazer e, no espaço que tem, os pais não se apresentam dispostos a se divertir e discutir certos assuntos com os filhos (vide Bartô Jr.). O pior que esses pais tendem a por culpa de alguns tipos de violência em livros, filmes e jogos e não na sociedade suja que molda nosso mundo real.

Para as crianças e jovens, um mundo fantástico onde personagens organizam a resistência contra o mal e o enfrentam de frente o grande vilão é mais esperançoso. É muito bom para esses futuros adultos criarem seus próprios heróis que simbolizam, de algum modo, paz e ordem. A literatura infanto-juvenil cumpre seu papel quando desperta dentro de um jovem alguma virtude e algum ensinamento de maneira muito didática e sutil.
Nos quatro livros lidos, JK Rowling perpetua sutileza e genialidade em passar discussões, informações, assim como criar um solução para o caso do livro (O que está escondido em Hogwarts? Onde está a Câmara Secreta? Cadê Sirius Black? Quem colocou o nome do Harry no Cálice?).

Que Rowling continue escrevendo pelo resto da vida.
Até segunda! E até Harry Potter e a Ordem da Fênix.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Terceira Dose de HP: Plot Twist

[...] - Mas ele traiu meus pais!
- Assim é a magia no que ela tem de mais profundo e impenetrável, Harry! - Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, pág. 313


Enfim chegou a vez de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban que é a terceira dose de Harry Potter do ano. Juro que achei que ia demorar mais tempo para ler a série, por isso eu vou passar ler um livro antes de ...Cálice de Fogo. Vamos ao tema da postagem.
Todos amam quando acontece porque é um dos artifícios que mostram bastante a inteligência do autor e JK Rowling sabe usar com maestria. Eu estou falando de Plot Twist. Hoje é dia de reviravolta sim. E a autora já me banhou do mecanismo 3 vezes para eu ignorar.
Por ser uma narrativa em volta de mistério, com pitadas de aventura, Harry Potter é uma série que busca a surpresa para o leitor. Nos 5 últimos capítulos a escritora arma uma trama que vai acelerar o ritmo de leitura e a história começa a ser elucidada, embora ninguém saiba em qual sentido aquela enxurrada de informações vai.
Genialmente, Rowling usa quatro métodos para nos brindar com um final de tirar o fôlego. Nesse livro específico nós temos um vilão claro, Sirius Black, e nenhum claro antagonista a esse personagem a não ser o Harry, que não pode fazer nada com o assassino em massa recém-foragido que afirma estar indo à Hogwarts. E apresenta todas as provas palpáveis para isso.
Uma pena que todas essas provas eram red herrings. Red herrings são as pistas falsas que chamam mais atenção que as pistas verdadeiras. Eu pessoalmente não consigo enxergar uma pista falsa maior em Prisioneiro de Azkaban que não seja o Bichento, o gato de Mione. Eu cheguei a achar que o Bichento era o próprio Black. Assim foi com o comportamento do Snape no primeiro livro, e as aranhas, no segundo.
Outro recurso que JK Rowling usa é a descoberta, ou nome feio anagnórise. Até o final do livro, até as últimas linhas das revelações de Black, a gente não acredita nem em um terço do que ele fala. Mas Perebas é Pettigrew e essa revelação muda toda a visão sobre a noite da morte de Lílian e Tiago Potter. A anagnórise é uma revelação que clareia partes do enredo e muda toda a visão do protagonista e do leitor sobre o que já fora narrado. E o que dá base a isso é o flashback.
Os relatos de Sirius Black e Profº Lupin remontam e levam o leitor há anos atrás, para a noite em que Voldemort perde seus poderes. Os flashbacks vão montando argumentos sobre as ações do presente e sobre eventos sem explicações do livro, como o ódio do Bichento por Perebas, ou a raiva de Snape por Lupin.
Por último, e não menos importante, vem o método que a solução é apresentada para fazer um final quase feliz e eu estou falando da "arma de Chekhov", nesse livro, mais conhecido com vira-tempo. Chekhov's gun é um recurso que preza que alguma coisa seja apresentada no começo do livro e que o leitor "esqueça" ou ache inútil o objeto. O vira-tempo não é apresentado fisicamente, mas a gente realmente ficou desinteressado em saber como a Hermione conseguia assistir aulas em um só horário, até que o item é revelado e provoca, literalmente, uma mudança no curso da história.

Pelo que acabei de mostrar, JK Rowling realmente esbanja inteligência em cada linha que escreve e, com certeza, é minha autora favorita por tudo que ela passa para as páginas. Desde A Pedra FIlosofal até Vocação para o Mal, a britânica mostra como seus livros foram melhorando e como o suspense cerca o seu estilo.
Viva JK Rowling!
Até segunda e aguardem Harry Potter e o Cálice de Fogo.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

Segunda Dose de HP - Terror Psicológico

A CÂMARA SECRETA FOI ABERTA. INIMIGOS DO HERDEIRO, CUIDADO.

JK Rowling consegue ser genial mais uma vez em livros policiais. Não, pera! Harry Potter é um livro infanto-juvenil... mas com terror psicológico... pra assustar criancinhas. Confuso?
O terror psicológico é um gênero que não precisa de um elemento que cause repulsa no leitor (zumbi, monstro sem cabeça, Samara), ele só precisa de, com sutileza, encaixar elementos que perturbem a mente dos personagens e aflorem a vulnerabilidade deles para que fique aquela torta de climão. E JK não poupa esforços em causar terror em Hogwarts.
Enquanto pessoas que foram petrificadas começam a aparecer nos corredores da Escola de Magia e Bruxaria e uma pichação acompanha o primeiro evento. A pichação diz que os inimigos de herdeiro de Slytherin
Um fato ainda piora a tensão em Hogwarts, nenhum professor é capaz de abrir a Câmara Secreta e muito menos encontrá-la. Dumbledore, principalmente, está na lista de incapazes. Enquadrar-se nesse cenário já dá arrepios e as coisas pioram.
Harry, Rony e Hermione, nessas idas e vindas ao banheiro interditado da Murta que Geme, encontram um diário. O tal diário de Tom Riddle que tem a capacidade que "falar" com quem possuísse o diário. Se não for terror psicológico o que Riddle faz com Gina Weasley, algo de errado não está certo.
Riddle persuadiu Gina se valendo da baixa auto-estima dela e reduz quase a pó o pouco que tinha. A caçula Weasley vai se afastando à medida que Voldemort ganha a confiança dela. Como ele força ela a cometer crimes beira o desumano.
JK Rowling conseguiu aplicar profundidade enorme ao tema com leveza impressionante. A situação chegou a me lembrar do Massacre de Realengo. Embora as ocasiões tenham origens diferentes, imagina o peso do que é ter um atirador na sua escola e ouvir e ver pessoas morrendo na sala ao lado ou na sua sala.
É ótimo ver como os livros de ficção são capazes de abrir discussões sem nenhuma pretensão. O que me deixa reiterar que toda criança deveria ler Harry Potter. Pelos dois livros que li, JK Rowling conseguiu transmitir mensagens diferentes, com uma narrativa policial leve e em um universo encantador.
Vou tentar postar pelo menos um desses textos de HP por mês porque eu estou lendo-os pela primeira vez. Espero que vocês leiam sobre os 7 livros até o início do segundo semestre, se eu interromper o espaço entre um livro e outro por um livro em dívida.
Aguardem o Prisioneiro de Azkaban.
E até segunda!

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Primeira Dose de HP - A Estranheza do Novo

Havia cento e quarenta e duas escadas em Hogwarts largas e imponentes; estruturas e precárias; umas que levavam a um lugar diferente às sextas-feiras, outras com um degrau no meio que desaparecia e a pessoa tinha que lembrar de saltar por cima [...] As pessoas nos retratos saíam para se visitar e Harry tinha certeza de que os brasões andavam. - Harry Potter e a Pedra Filosofal, pág. 99, JK Rowling.


Depois de ter crescido como a geração Percy Jackson, eu resolvi ler Harry Potter, de JK Rowling.  Eu já li todos os livros dessa milionária, mas nenhum desse universo, que é do ano em que este que vos escreve nasceu, 1997.
Como quase todos vocês já leram Harry Potter e a Pedra Filosofal, no mínimo, eu decidi falar sobre as impressões que eu tive, uma sensação, um tema, e não uma resenha. E o tema de hoje é a felicidade e estranheza do que é novo.

Em Harry Potter e a Pedra Filosofal, o leitor a todo momento vai se deparar com algo improvável e novo. É engraçado acompanhar Harry descobrindo esse novo mundo quando eu estou prestes a entrar numa faculdade daqui a uma semana.
O novo sempre vai instigar porque sempre terá algo a mostrar, ensinar. Harry tem um monte de choques quando o Hagrid o guia pelo mundo mágico no Beco Diagonal e depois quando é guiado por Hogwarts.
O trecho ali de cima pode ser descrição de qualquer escola para uma criança. A criança não sabe quem está ao seu redor na escola, onde fica biblioteca, parece que toda porta te leva a um lugar completamente diferente. CEFET é Hogwarts, acabei de perceber
O choque com o que era conhecido e o que se vai conhecer é um convite para quem está disposto a pisar nesse mundo. Deve ser por isso que tantas crianças embarcaram nesse mundo de corpo, alma e coração. Muitas coisas na vida real já pode ser incrível Hogwarts e mais surpreendente. Às vezes eu me senti voltando a ser criança.
 Por isso eu acho que todos deviam (re)ler Harry Potter e a Pedra Filosofal, para se sentir reconectado com a infância, para sentir que o novo sempre está para chegar. Não precisa de coruja, nem de um sátiro, como em Percy Jackson e os Olimpianos, para entrar em contato com um mundo novo todo dia. Pode ser estranho o que você vai encontrar, mas até estranho pode ser bom.

Muita gente não aceita o mundo novo, mas não esteja incluído nesse grupo.
Alguém ensina a jogar quadribol?